da gravidez a maternidade..
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Escolinha

Içara está com dois anos e um mês. Com muita energia , pouca soneca e assistindo mais tevê do que aprovo e ficando cada dia mais entediada, porque eu fico em casa, mais ao contrário do que muita gente pensa, não é de pernas pro ar (pelo menos não o dia inteiro, hehehe). Eu trabalho no Kika de Pano, cuido da casa e tento dar conta dos estudos da faculdade que (enfim!) está chegando ao fim.
Como não temos família aqui na Praia Grande, a única solução é ir pra escolinha.
Eu sabia que ia ser uma decisão difícil.

Trabalhei com educação infantil por seis anos antes de ter a Içara e sei o que é uma escola de qualidade, que vai além do cuidar, do educar. sei o que é o comprometimento de uma equipe, reuniões semanais para oferecer as crianças atividades e brincadeiras significativas que estimulem sua curiosidade e participação, que antes de chegar nas letrinhas (o que parece ser a coisa mais importante do mundo em muitas escolas), a criança vivencia e experimenta através do seu corpo e de todo movimento que é capaz de produzir, em tom de brincadeira, com muita música, espaço, histórias, teatro, fantoches, vídeos, todo um conteúdo antes de representar o resultado no papel.
E partindo deste conceito de escola, visitei nove escolas. Gente, que tristeza. Apostilas gigantescas à 500 reais anuais. Escolas mofadas. Espaços pequenos. Quase zero de área aberta ou verde. Nenhum semanário para mostrar. Em algumas nem sabiam em que classe a Içara ficaria. Triste. Triste. A educação neste país é caótica.

Pensamos primeiro, em colocá-la na creche, mas só temos opção de período integral, e acho muito uma criança ficar na escola das sete da manhã às cinco da tarde.

Nas minhas visitas, encontrei uma escola nova, abriu hoje. Limpa, bonita, os donos tem bom gosto para a decoração, tudo realmente muito lindo e encantador. completamente diferente de tudo que visitei. Além do mais, foram os mais capazes de definir o conteúdo pedagógico da escola e demonstrar que sabiam do que estavam falando.

Porém nos deparamos com um detalhe: os donos são evangélicos. Logo na entrada da escola tem uma passagem dos Gênesis e aquilo chamou minha atenção. Quando o diretor falou que não entrava xuxa, funk ou é o tchan na escola, indaguei da Aline Barros (cantora evangélica que fez dvds com músicas infantis), porque vi um dvd ao lado da tv. Ele disse que tinha toda a coleção dela. Aí começou a confusão. Eles não comemoram Carnaval, nem Festa Junina, nem Folclore.

Içara é filha de dois chatos, tendo uma mãe agnóstica e um pai ateu, perderia ela a oportunidade de estudar numa boa escola?

Fui atrás dos dvds da Aline de Barros, para não me sentir a maior preconceituosa da face da terra, li umas 10 letras das músicas e realmente todas colocam deus e jesus em seus dizeres. até a música do não atire o pau no gato.

"Não atire o pau no gato, to, to
Porque isso, so, so
Não se faz, faz, faz
Jesus Cristo, to, to
Nos ensina, na, na
A amar, a amar os animais
Amém!"

e outra que me chamou a atenção:

A viuvinha pôs na caixinha
Sua moedinha, o seu melhor
E quem oferta com alegria
Junta o tesouro muito maior

Jesus se agrada, Jesus se agrada
Da ofertinha da criançada
Das moedinhas fazendo assim:
Tirilim, tim, tim. Tirilim, tim, tim.

Tirilim, tim, tim. Tirilim, tim, tim.
A oferta vai caindo dentro da caixinha
Tirilim, tim, tim. Tirilim, tim, tim.
Eu quero um coração igual o da viuvinha

Jesus se grada, Jesus se agrada
Da ofertinha da criançada
Das moedinhas fazendo assim:
Tirilim, tim, tim. Tirilim, tim, tim.

Tirilim, tim, tim. Tirilim, tim, tim.
A oferta vai caindo dentro da caixinha
Tirilim, tim, tim. Tirilim, tim, tim.
Eu quero um coração igual ao da viuvinha...


Sinceramente, não gostei. Do mesmo jeito que a Içara não conhece a Xuxa ainda porque acho tranqueira, acho completamente desnecessário ela conhecer essa tal Aline e suas idéias cristãs.

Por felicidade, conheci a Isabel, vó do Lucca que mudou recentemente pra Praia Grande e estávamos nós duas na mesma empreitada, visitamos as escolas juntas e a que mais gostamos foi essa. Hoje, ela foi visitar a escola de novo, para matricular o Lu e pedi pra ela perguntar das questões folclóricas e tal. E ela comentou com a diretora o quanto eu havia gostado da escola, mas não desejava uma educação religiosa/cristã/evangélica para minha filha, (principalmente pelo fato de que eles não assumiram num primeiro momento, que a escola tinha essa missão também). Eles afirmaram que as músicas falavam sobre bichinhos, etc. Até entendo, eles estão tão dentro deste universo que os dvds lhe parecem educativos e inofensivos. Mas, se a Içara fizer a apresentação de fim de ano com alguma dessas músicas, ou começar a cantar enlouquecidamente pela casa, não dá. Porque não tem nada a ver com a gente, com nossa história, com nossa crença.

Eu prefiro passar valores a ela, do que crença, fé. Acho que isso ela vai construir com suas próprias experiências e quando e se isso for despertado nela, estarei aqui para mostrar todas as formas possíveis que existe de re-ligar-se a deus e dependendo da idade, tudo que penso em relação a questão da fé X religião.

E para minha felicidade, a diretora percebeu e a educação religiosa/cristã/evangélica (nunca sei qual termo usar) será opcional e as mães e pais podem escolher se os filhos participarão ou farão outras atividades no momento.

Vi que não tinha errado por gostar da escola, dos diretores. Fiquei feliz por eles perceberem e modificarem a estrutura para atender todos os alunos de forma a realmente compartilhar a educação dos nossos filhos. Fiquei mais tranquila.

Hoje começou o curso de férias. Uma forma de divulgar e abrir a escola antes de iniciar o ano e os pais conhecerem. Amanhã o papai vai conhecer a escola e se ele gostar tanto quanto eu, a Içara vai começar amanhã mesmo sua adaptação.

Vou atualizando o quanto for possível aqui, sobre a NOSSA adaptação.

É isso. Dificil escolher quando se tem poucas e péssimas opções.

sábado, 14 de março de 2009

Nas curvas da estrada de Santos

Todo mês a visita ao pediatra é uma grande expectativa.. é lá onde fico sabendo se está tudo certinho com a princesa. E SIM, ESTÁ!
Dr. Mário é super paciente e responde todas as minhas dúvidas sem presa e com tranquilidade.
A Içara está pesando 5450kg e medindo 59,3 cm. Está crescendo minha garota..
Esse mês tem mais uma vacina, contra pneumonia. Vacina judia demais.. principalmente, da mãe que fica com dó da cria.. pois, a Içara nem sofre muito e teve pouquíssima reação das do mês passado (5 no total!! aff..)
O canal lacrimal continua sujando o olhinho: massagem e colírio 2 vezes ao dia.
O rostinho, atrás da orelha e em cima das sombrancelhas estão com um eczema bem comum em bebês: camadinha de pomada 1 vez ao dia.
Vitamina C: 1 vez por dia, para absorver melhor o ferro.
Ferro: 2 vezes ao dia. Disse ele que bebês que nascem abaixo de 3 quilos precisam complementar o ferro, pois é comum que não tenha absorvido ferro suficiente dentro do útero pela placenta..
Bem.. fico doida com esse monte de gotinhas, creminhos, etc.. mas, se é pro bem da princesa, ficar um pouquinho mais doida não vai me fazer mal..
Sobre o aleitamento materno. QUERO MUITO AMAMENTAR EXCLUSIVO ATÉ OS 6 MESES e não tenho intenção nenhuma de desmamar a Içara, ao contrário, acho que ela quem vai me desmamar quando quiser. Até os 2 anos, a criança só se beneficia de ainda mamar, então até essa idade eu gostaria muito que ela mamasse.. afinal, todo mundo está careca de saber os benefícios da amamentação exclusiva e da amamentação prolongada.. ou não? se não, é só clicar nos links e verá.
Mas, estou com enorme dificuldade em fazer ordenha para armazenar leite para minha princesa.. Eu teria que tirar 200 ml, por mamada, para alguém dar para ela, e tenho tirado 1 dedinho só.. ai que tristeza..
Por isso, ela tem ido à faculdade comigo.. e caso eu volte a trabalhar antes dos 6 meses dela, ele sugeriu (se continuar sem sucesso na ordenha) dar o de soja, que tem menos perigo de alergias..
Enfim.. este assunto ainda vai rolar e muito por aqui..

Aproveitando a ida a Santos, devido ao pediatra, fomos visitar o vovô Miguel, que babou foi muito na neta-mais-linda-do-planeta.. e tem como não babar?

Depois, fomos na escola e matei a saudade dos pequenos e da equipe amada do meu coração.. como disse a Vailde: um caso de amor.. que será interrompido. Agora, morando em Praia Grande, fica difícil pegar 2 conduções, quase 2 horas de ônibus, todo dia com a pequena..
ESCOLAS DE PRAIA GRANDE: ESTOU ABERTA A PROPOSTAS.

A Içara está bem e muito passeadeira! rsrs..

sábado, 16 de agosto de 2008

Praia e pensamentos..


Acordei cedo hoje. Televisão ligada, janela aberta e o maior sol! Não agüentei a cama e a coceirinha praiana me levou. beijo no marido-lindo que continua seu sono em paz.
Andei, andei e como andei.. São Vicente pode ter muitos defeitos (não que eu vá listá-los, até porque acho o sistema de lotação com preço mais barato que ônibus, ajuda e muito o transporte público, no comércio você pode encontrar coisas muito mais baratas que em outros mercados da cidade próxima, agora tem shopping com cinema e tem loja que só vende milkshake, para delírio das grávidas).
Mas, a orla de São Vicente é uma coisa linda! Da Biquinha até os pés da Ilha Porchat é uma paisagem de dar gosto de se ter como quintal de casa. Às 9hs da manhã tem um gosto especial, pois ainda está vazia a praia e aquele mundo de areia e mar dá a impressão que está ali só para você.
MP3, biquini e boné. Lá foi a moça e sua barriga. Passeando entre o branco e o verde escuro dos mares. Aos poucos a praia vai ganhando novos coloridos. As crianças com seus pais que têm um pouquinho de consciência sobre os males do sol, vêm alegrar o caminho, bóias coloridas, sorriso, energia vital de criança. Buracos na areia, corrida, muitas fotos dos bebês em seus dias de beira-mar. Escoteiros, escolas de velas, excursão. Cheiro fresco da manhã, música ambiente particular e quando vi, já estava aos pés da Ilha.
Meu sogro estava lá se "aquecendo" para um joguinho de tênis.
Banho de mar. Voltar pelo mesmo caminho e a praia enchendo, mais guarda-sóis coloridos, bolas, e crianças sorrindo.
As chinesas se protegem muito do sol. Brasileiras põem seus menores biquinis e se entregam a ele. Brasileira que sou, entrego-me a essa manhã de agosto que parece janeiro. Na volta, não resisti a banca de maçãs, comi, feliz, a menina na barriga mexe e remexe. Olho para um casal, com sua bebê recém-nascida, todos alegres com a calma da manhã.
Mão na barriga e só um pensamento, "daqui a pouco é você, pequena, que estará a curtir esse solzinho, essa areia, essas manhãs lindas que nos deixam com a sensação de que a felicidade é assim, alegria simples de dia de sol, onde tudo parece em seu devido lugar".